Víbora

Teria sido bem melhor
se você tivesse nos contado
tudo.

A gente aqui
esperando você falar alguma coisa
E você aí,
bem na nossa frente,
mudo.

A gente nunca esperou
isso de você,
essa coisa esquisita
de ficar
em cima do
muro.

Até parece
premeditado
fake
feito de propósito
que você mudou de lado,
juro.

Até parece máscara
Ópera
Víbora

Mas é só você
Que tem o dom
de me amar
me seduzir
me desdobrar
e me cuspir
só pra me obter

Metade homem
Metade omisso
Uma parte morta
Outra parte lixo
O teu cheiro
A tua trama
A tua transa
Hoje eu não vou querer

Não sou moura torta
macabea
poliana
franciscana
nada pra você
E você é um
equívoco.

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Vive dentro de mim

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando pra o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço…
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo…

Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho,
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde de são-caetano.

Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.

Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.

Vive dentro de mim
a mulher roceira.
– Enxerto da terra,
meio casmurra.
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos.
Seus vinte netos.

Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha…
tão desprezada,
tão murmurada…
Fingindo alegre seu triste fado.

Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida –
a vida mera das obscuras.

(Cora Coralina)

Caráter…

…ca-rá-ter
s. m.
Conjunto de qualidades (boas ou más) que distinguem (uma pessoa, um povo); traço distintivo: o caráter do povo brasileiro.
Gênio, índole, humor, temperamento.
fôrmação moral, honestidade: homem de caráter.

A falta de caráter é o antônimo das descrições acima.**

(Fonte: Dicionário Online)

Hoje não sinto nada, ontem eu tive mágoa, anteontem ira e, antes, tive paixão. Paixonite agúda, daquelas que te deixam com a maior cara de idiota e com a sensação de ter muita sorte de estar acontecendo com você. Trêmula, com sorriso frouxo, com aquela cara de idiota e com os olhos explodindo mil fogos de artificio, feito réveillon.
A paixão chega e te mostra que a vida pode ser, sim, muito mais do que já é…
…Até a pagina 15.

Tenho ouvido Vinícius de Moraes em demasia (sozinho, com Toquinho, com Miúcha e também com Jobim), e ele descreve, na maioria dos poemas e musicas, a sensação de êxtase dos apaixonados, tanto das paixões boas quanto das ruins. Até porque é meio relativo classificar alguma paixão de ruim. Ela só é ruim quando deixa de ser paixão e se transforma em mágoa, tristeza, lágrimas e recalque. Enfim. Voltando ao Vinícius, a música que está em looping (na minha cabeça e nos fones de ouvido) é “Canto de Ossanha”, que fala sobre como os apaixonados são encorajados a se entregar às paixões e, de repente, se percebem nadando em despeito. Sim, despeito. Porque é muito constrangedor ser passado para trás. O sujeito as vezes sabe que não pode lhe dar a paixão larga em retorno e, mesmo assim, insiste que você se entregue.

Sim, eu estou falando das paixões ruins. Esse é o enredo.

Hoje mesmo eu conversava com uma grande amiga e falávamos sobre esse negócio complicado que é se apaixonar por pessoas de caráter duvidoso. Sabe aqueles sujeitos complena consciência que, hora ou outra, podem te fazer sofrer e mesmo assim insistem em dar continuidade na “relação”? Pois bem, é a isso que me refiro. E você, toda cautelosa, disserta sobre a sua fragilidade do momento, diz que não pode se envolver porque não gostaria (e nem poderia) de se machucar  e blábláblá. Aí o cara se faz forte, te transmite segurança e você vai se envolvendo. É como se um sujeito te chamasse pra dançar e você avisasse de antemão que não sabe. Ele diz pra você que é só o acompanhar, porque ele te conduz. Até ele dançar uma música loucamente e, depois, te abandonasse no salão, porque ele não pode dançar. Daí, o ódio/raiva/mágoa/fiiiilhodaputa!. Aí já não é paixão, já é outra coisa. Entendeu? A paixão é boa, o sentimento de rejeição que não é.

Quando a bomba estoura, os sacanas sempre se fazem de vítima do acaso.
Balela! Bullshit!

Em suma:
Ninguém merece sofrer por decisão de outra pessoa. Ninguém.
Quando o sujeito tem plena consciência de que pode te ferir e mesmo assim insiste na história, ganha o free pass para o Hall dos caráteres duvidosos.
Quem decide se é necessário sofrer (ou se vale a pena), somos nós. É por isso que existe aquele maravilhoso adjetivo chamado “honestidade”.

“As causas não determinam o caráter da pessoa, mas apenas a manifestação desse caráter, ou seja, as ações.”
(Arthur Schopenhauer)

____________________________________________________________

**nota adicionada por mim, é claro.

E, de repente…

… Me peguei paralisada por alguns minutos. Como dizem as histórias, eu ouvi música quando o vi. Os meus olhos sorriam, como se assistissem à noite de céu estrelado. Meu coração, já desses assim, meio quebrado e com defeito, juntou a pequenez de sua força e gargalhou! Gargalhou da minha gargalhada, porque até os lábios já sabiam.
Me apaixonei por um sorriso simples e honesto, daqueles com grandiosa sensibilidade e poesia, pelas mãos já meio calejadas de fazer os outros sorrir, pela voz afinada ao contar ao mundo como ele é bonito e pelos óculos de quem enxerga a vida de maneira mais leve – mais simples, mais colorida, mais perfumada e cheia de cores maravilhosas.

Paixão, sabe?
Peguei carona nas asas de um pássaro e fui ao céu. Mesmo que só por um instante.
Talvez esse sentimento/sensação permaneça assim, só nos meus sonhos, porque talvez seja impossível. Mas quem se importa?

Só por perceber, só por sentir, só por sorrir, já me valeu o sonho. Já me valeu o dia. Já me valeu viver. Recomeçar.
A vida/coração não pode ser tão amarga para sempre. Talvez o amor não se  concretize da forma idealizada e blasé como imaginam a maioria das pessoas. Talvez algumas nasçam para se apaixonar e amar todos os dias e de maneiras diferentes.

E, hoje, eu me apaixonei.
Hoje, eu amei.
Só por hoje.
Um dia de cada vez.

“Quando é vazante, quando é maré cheia, corre Batuíra na beira do mar”

Mia philosophia

Vendo a vida pelo retrovisor, como se tudo o que aconteceu ainda estivesse ali, sempre.
Um labirinto confuso, em circulos; nomeiam-o mundo, terra, vida.
Vida é retorno? São releituras? Porque é certo: tudo sempre volta.
O ontem pode ser hoje, o hoje já é amanhã e tudo sempre se faz um novo velho. Repaginado.

Vagando em paisagens, vendo o longe pela janela… E, de repente, o longe é perto, é aqui.
E qual é a tal missão que nos é empregada? Existe? São escolhas? Nem sempre felizes. E aí te dizem que são para aprender. Lições.
Vive-se para aprender, em estágios. Somos treinees de um futuro que nunca chega. Por que tanto aprendizado?
Mas o que tanto esperamos? O que é o fim? Fechar as cortinas, ver a luz lá ao fundo e tentar alcançá-la? Qual é o sentido?

São circulos e, neles, Montesquieu disse que temos alguns direitos, inclusive o de ser feliz.
Mas o que é ser feliz? E quando isso se tornou obrigação?
Viver na melancolia chamam de depressão. De pressão. Pressão pela obrigação de ser feliz. Aí nos tornamos melancólicos. Mais um circulo. Retrovisor. Vê?

Esquecemos dos sentidos e caminhamos com os olhos vendados.
Vendados.
Vendidos.
Tudo por posses. Possuir coisas que nunca serão eternamente nossas.
Não somos donos nem de nossos corpos, porque ele nos dirá o momento de sucumbir e nada teremos a fazer.
Te dizem o que ter, o que não fazer, o que pensar, no que sentir prazer. Máquinas vivendo por uma missão que nem ao menos conhecemos.

E, todos os dias, temos que esconder sentimentos.
Sentimentos são genuinos e devem estar presentes, em tudo.
Gestos, palavras, pensamentos, cumprimentos.
As estrelas que se acendem dentro do peito quando algo acontece. Isso faz sentido. É involuntário, assim como a vida deveria ser. Involuntariamente sensorial.

Sentidos. Sentir. Sentimento.
Gosto. Cheiro. Toque. Dor. Fagulhas coloridas no peito. Lembranças seguidas de sorrisos. Sal em lágrima. Doçura em acordes.
Isso sim faz sentido.
Sentidos involuntariamente sensoriais.

Monstrosity

 
 
 
 
Dançando abraçados, apertados e devagar.
Eu e meu coração estéril.
Seu nome costumava ter um gosto tão doce.
Eu, contente, me entreguei a uma luta que ninguém poderia vencer.
É um mistério como agem as pessoas! 
Como corremos pela uma vida feito escravos!

Caímos em quaisquer braços abertos, que apenas nos causarão danos.
Me atacou, até o amor ir embora.

 

Me deixou ali, absorta. 
Se eu pudesse, faria isso com ele também.

 
Você, sempre você. The best kisser that I ever knew.
Você, sempre você. The hardest hitter that I ever knew.
Amor verdadeiro – o sentimento mais cruel que existe.
Não há muito do que se orgulhar.
 
Nos curvamos em acrobacias de deixar os nervos à flor da pele, tudo por um final feliz.


Quando ele me beijou eu perdi o chão, o ar, eu perdi tudo. E, quando me levantei e juntei meus pedaços, fiz tudo de novo. Tudo por um final feliz.

Versos íntimos

Para alguns, o amor está para Vinícius de Morais.
Para mim, o amor está para Augusto dos Anjos.
Amor?
Augusto dos Anjos traduz em versos legítimos a leviandade do ser amor e do ser amado. Somos humanos e não existe amor tão sublime a ponto de fazê-lo irreversível e incorrompível. Não só do amor eu digo, mas todos os laços sentimentais envoltos ao ser humano. 
Egoístas somos ao exigir do outro perfeição, mesmo sabendo que também não somos perfeitos. Todos passíveis ao erro, ao descaso, traição, decepção. Valores diferentes, posturas diferentes. O destino não é assim tão premeditado, tão escrito, tão óbvio e tão azul quanto dizem. O destino é o acaso embaralhado entre os dias, os meses, os anos. Por vezes, você pega a carta certa e, inocentemente, pensa que o destino assim o havia previsto. O destino não prevê. O destino é o acaso.
Hoje a mão que te acaricia é a mesma mão que, em breve, te apunhará.
Hoje a boca que te beija é a mesma que, em breve, te cuspirá.
Hoje a saliva que te sacia é a mesma que, em breve, te enojará.
E, assim, caminha a humanidade – acreditando nos romances de Truffaut e Robert Wise.

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

(Versos Íntimos – Augusto dos Anjos)

Insone.

Estranho como pulsa o tempo num coração
Botando tudo em movimento, sem direção
Tanto correr me faz pensar
No quanto o sentimento muda
No quanto ainda me sinto surda
Ao te escutar
Seu corpo vem
As horas andam
No despencar desse planeta
Me sinto as vezes tão careta
Ao esperar por um segundo
Estranho o acontecimento
Na contra-mão
Nem sei mais quanto eu lamento
Em dizer não
Me desliguei
Não sei de nada
Acordo quando muda o vento
Não sei se meu caminho é lento
Ou singular
Não sei por que meus olhos saltam
De tantos muitos pensamentos
Parece que nosso momento nunca vai chegar
Num tempo, tempo

Quando o sono não chegar

Vou pegar tua saia rodada
(aquela de flor vermelha),
botar junto dela as facas,
a saudade e a pasmaceira.
Vou rodar o ponteiro do relógio,

e atravessar as bandas alheias.

Te levar a caixa de São Paulo,
de São Jorge e São Longuinho.

Toma conta dela Ciço, meu Padinho,
Pra do juízo não variar,

Pro dinheiro ela ganhar,
Pro carnaval ela borboletar,
Pra passarinha poder voar!
 
 
“Neste quarto de fogo solitário
No telhado um letreiro esfumaçado
Candeeiro no peito iluminado
O cigarro no dedo incendiário
O cinzeiro esperando o comentário
Da palavra carvão fogo de vela
Meus dois olhos pregados na janela
Vendo a hora ela entrar nessa cidade
Tô fumando o cigarro da saudade
E a fumaça escrevendo o nome dela
O prazer de quem tem saudade
é saudade todo dia
O prazer de quem tem saudade
é saudade todo dia
Ela é maltratadeira
Além de ser matadeira
ô saudade companheira
De quem não tem companhia
Eu vou casar com a saudade
Numa madrugada fria
Na saúde e na doença
Na tristeza e na alegria
Quando o sono não chegar
No mais distante lugar
No deserto beira mar
Dia e noite noite e dia”

Dedicado à Ana ou Letícia.

Queda livre

Quando criança, lembro-me quando olhava o jardim através da janela suada, enquanto a chuva caía, numa manhã de sábado. Meu pai ouvia um jazz suave, que falava sobre um amor bonito onde nomes eram cravados em árvores, enquanto minha mãe preparava o café e aquele cheiro amadeirado espalhava-se pela casa. Naquele momento, lembro-me de sentir como se eu pudesse ser o que eu quisesse, se desejasse com todo o meu coração e de olhos bem fechados…
…Ouvi o som do despertador anunciando novo dia. Hora de se levantar. Olhei para o relógio, desejando mais alguns minutos para permanecer na cama. Não queria sair dali.  Senti um aperto no peito. Anos se passaram desde aquele sábado.
Na esperança de voltar no tempo, apertei meus olhos, busquei alguma força genuína em meu coração. Queria ouvir aquele jazz romântico novamente, enquanto aguçava as narinas em busca do aroma do café atravessando as paredes. Abri um dos olhos, olhei ao redor. Nada mudou. Continuava ali, deitada em minha cama esperando a coragem para fazer aquele dia ganhar vida. 
Olhei para o relógio e senti um aperto no peito. Esmorecida, me pus em pé. 
Sentia-me estranhamente vazia. Tinha amigos, tinha um noivo (iria me casar em breve), tinha planos para filhos e formar uma família. Tudo parecia extremamente perfeito… Para um comercial de margarina. 
Não que eu nunca tivesse almejado tudo aquilo, mas naquele momento, não fazia sentido. Sentia falta de alguns sentimentos de bravura, da ludicidade, da admiração, da descoberta simultânea da vida. Além disso, havia um sentimento estranho de que algo me faltava. Muito eu havia visto e muito ainda desejava ver, mas ali o tempo parecia totalmente nulo. Uma sensação oca, inútil, vazia. Mas o que é que tinha mudado? O que havia acontecido?
Descobri, então, o que havia perdido e tudo se fez óbvio. Onde, afinal, eu estava?
Dentro de mim tudo era conformidade – não exercia a profissão que sonhara, mas tudo bem. Não conseguia expressar minhas idéias, mas tudo bem. Não conseguia achar criatividade, mas tudo bem. Estava conformada com a vida comum. Dentro de mim não existiam esperanças genuínas – estava fadada a essa tal vida comum.
 
Fechei seus olhos pela segunda vez,  desesperada, apertando-os apressadamente na esperança de ouvir novamente a música… Em vão. Me sentia estúpida por deixar o melhor de mim morrer.
Olhei pela aquela mesma janela, já sem tanta vida no jardim e, através da visão torpe encharcada de lágrimas, vi a montanha que nunca havia visitado, sempre postarguei ir até lá.
Como seria a visão de lá de cima?“, pensei. “Será que daria para enxergar um novo caminho, vendo tudo de tão alto?”. Talvez não fosse muito longe dali. Poderia ir caminhando e, nesse caminho, quem sabe não poderia encontrar, dentro dos meus pensamentos, o que havia perdido? 
“Não me dei por vencida, vou subir até lá e ver o que há”, pensei. Para tal, tive de desistir de todos os planos, abrir mão da vida comum e deixar tudo o que tinha vivido até ali. Doeu fazê-lo, mas o fiz.
Segui meu caminho, mesmo desconhecendo o quanto andaria. Tomei meu rumo por um caminho íngrime, cheio de pedras e muros.  Me vi longe de tudo, até não saber mais por onde estava andando. Não havia feito nada parecido em toda a minha vida! Vi pessoas diferentes, rostos estranhos, sentimentos bons e ruins – era paradoxo alucinante.
De repente, senti uma mão afagar meus cabelos. Foi mágico!  Me senti forte! Mas aquela estranha força, do desconhecido, partiu. Continuei. Onde, raios, eu estava?
Cheguei ao topo, ainda ofegante. A luz do sol era tão intensa que me cegava. Então, quando uma nuvem abrandou o reflexo do sol, pude perceber como ali visão era esplendorosa. Nunca havia visto nada parecido com aquilo. Foi quando então, no alto da montanha, me vi acima de mim mesma.
Fechei meus olhos ali desejei que meu coração apontasse o meu caminho. Surpreendentemente, ele me respondeu, com uma voz baixa, gentil e doce: “Pule!”. Respirei fundo, olhei para baixo e notei que não estava com medo. Abri meus braços, levantei minha cabeça e abri os olhos, deixando com que o vento forte passasse envolta de mim. Dei uma gargalhada inesperada, porque a felicidade tomava conta de mim. fechei os olhos e caí.
Durante a queda livre a liberdade era inefável. Ali, me encontrei. Precisava pular, sem saber onde cair, para que eu pudesse abrir minhas asas – longas, fortes, vívidas e majestosas – para perceber que o meu destino era aquele, havia me encontrado. Cair era necessário, para que as minhas asas me levassem até onde meu coração suplicava.