Penultima vivência II

de dia era rodrigo
de noite cinematográfico
era só leão.
lido, longe
ficam mais os dedos
que as memórias.

e vozes
e dias atrozes
embalado para onde eu fosse
eu ia!,
aceitando mais a noite
que o dia.

de dia, eira
logo depois
lago sem beira,
braço longo
Casca boa para
encobrir
cerimônias.

assim um choro
aqui
já de noite
onde agora eu moro,
ou um coral,
rumor de risos e encantamentos pés descalços
e aranhas gordas,
lá fora a geada
anuncia a monção
aqui dentro
entre o que é rodrigo
e o que for leão
chegou

por sónias e rosas
um sopro de verão.

quero um sonho amarelo
– fosse trigo,
quero do feio
o que for belo,
e quero
– porque sim

a tua música sempre simples sempre só
sempre o mais possível
assim.

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Víbora

Teria sido bem melhor
se você tivesse nos contado
tudo.

A gente aqui
esperando você falar alguma coisa
E você aí,
bem na nossa frente,
mudo.

A gente nunca esperou
isso de você,
essa coisa esquisita
de ficar
em cima do
muro.

Até parece
premeditado
fake
feito de propósito
que você mudou de lado,
juro.

Até parece máscara
Ópera
Víbora

Mas é só você
Que tem o dom
de me amar
me seduzir
me desdobrar
e me cuspir
só pra me obter

Metade homem
Metade omisso
Uma parte morta
Outra parte lixo
O teu cheiro
A tua trama
A tua transa
Hoje eu não vou querer

Não sou moura torta
macabea
poliana
franciscana
nada pra você
E você é um
equívoco.

Vive dentro de mim

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando pra o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço…
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo…

Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho,
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde de são-caetano.

Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.

Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.

Vive dentro de mim
a mulher roceira.
– Enxerto da terra,
meio casmurra.
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos.
Seus vinte netos.

Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha…
tão desprezada,
tão murmurada…
Fingindo alegre seu triste fado.

Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida –
a vida mera das obscuras.

(Cora Coralina)

Isso tudo

“Isso que não ouso dizer o nome
Isso que dói quando você some
Isso que brilha quando você chega
Isso que não sossega, que me desprega de mim

Isso tem de ser assim…
Isso que carrego pelas ruas
Isso que me faz contar as luas
Isso que ofusca o sol
Isso que é você
E sou sem fim.”
(Chico César)

Não posso mais roer os nervos enquanto as horas passam e você não aparece. Preciso me poupar. Não pretendo mais sofrer, depois, quando você sumir de vez. Sofrer por amor é pura vaidade. Vou olhar para retratos meus e, de novo, sentirei orgulho de mim. Fotos minhas antes de você. Quando eu ainda não tinha provado desse seu veneno vicioso. Da saliva que se fez heroína. Do cheiro que se fez lança-perfume. Deveria ter uma tabela antipaixão como as que fizeram para os tabagistas. Marcaríamos um xis nas vezes em que pensássemos no outro. Assumindo assim nossa fraqueza. Contando as horas em que fôssemos capazes de esquecer. Poucas, no meu caso, já que tudo me lembra você. E de noite as coisas pioram. Mas quero, e posso, vencer essa semana. Sobreviver à abstinência de você por sete dias. Acho que nos perdemos. Ou me perdi. Sozinha. Para depois ficar aqui, sentada no meio-fio.
Queria apenas pedir um favor antes que você rasgue este resto do que tivemos. Se algum dia, tendo bebido demais, sei lá, você acabar pensando tolices parecidas com estas, escreva também uma carta. Mesmo sem jamais saber o que você irá dizer, sei que ela fará de mim menos ridícula. Neste amor e, por isso, em todo o resto. Pois adoraria que você fosse capaz de tanto – escrever uma carta é um ato de desmedida coragem. E eu ficaria, enfim, feliz comigo, por tê-lo amado. Um homem assim, capaz de escrever bobagens amorosas. Então é isso – como sou insuportavelmente romântica, meu Deus. Termino aqui essa história, de minha parte, contando que estas palavras façam jus ao fim do amor que senti. E deixando este testamento de dor, onde me reconheço fraca e irremediável. Porque ainda gostaria de poder acreditar que você nadaria de volta para mim.

Caráter…

…ca-rá-ter
s. m.
Conjunto de qualidades (boas ou más) que distinguem (uma pessoa, um povo); traço distintivo: o caráter do povo brasileiro.
Gênio, índole, humor, temperamento.
fôrmação moral, honestidade: homem de caráter.

A falta de caráter é o antônimo das descrições acima.**

(Fonte: Dicionário Online)

Hoje não sinto nada, ontem eu tive mágoa, anteontem ira e, antes, tive paixão. Paixonite agúda, daquelas que te deixam com a maior cara de idiota e com a sensação de ter muita sorte de estar acontecendo com você. Trêmula, com sorriso frouxo, com aquela cara de idiota e com os olhos explodindo mil fogos de artificio, feito réveillon.
A paixão chega e te mostra que a vida pode ser, sim, muito mais do que já é…
…Até a pagina 15.

Tenho ouvido Vinícius de Moraes em demasia (sozinho, com Toquinho, com Miúcha e também com Jobim), e ele descreve, na maioria dos poemas e musicas, a sensação de êxtase dos apaixonados, tanto das paixões boas quanto das ruins. Até porque é meio relativo classificar alguma paixão de ruim. Ela só é ruim quando deixa de ser paixão e se transforma em mágoa, tristeza, lágrimas e recalque. Enfim. Voltando ao Vinícius, a música que está em looping (na minha cabeça e nos fones de ouvido) é “Canto de Ossanha”, que fala sobre como os apaixonados são encorajados a se entregar às paixões e, de repente, se percebem nadando em despeito. Sim, despeito. Porque é muito constrangedor ser passado para trás. O sujeito as vezes sabe que não pode lhe dar a paixão larga em retorno e, mesmo assim, insiste que você se entregue.

Sim, eu estou falando das paixões ruins. Esse é o enredo.

Hoje mesmo eu conversava com uma grande amiga e falávamos sobre esse negócio complicado que é se apaixonar por pessoas de caráter duvidoso. Sabe aqueles sujeitos complena consciência que, hora ou outra, podem te fazer sofrer e mesmo assim insistem em dar continuidade na “relação”? Pois bem, é a isso que me refiro. E você, toda cautelosa, disserta sobre a sua fragilidade do momento, diz que não pode se envolver porque não gostaria (e nem poderia) de se machucar  e blábláblá. Aí o cara se faz forte, te transmite segurança e você vai se envolvendo. É como se um sujeito te chamasse pra dançar e você avisasse de antemão que não sabe. Ele diz pra você que é só o acompanhar, porque ele te conduz. Até ele dançar uma música loucamente e, depois, te abandonasse no salão, porque ele não pode dançar. Daí, o ódio/raiva/mágoa/fiiiilhodaputa!. Aí já não é paixão, já é outra coisa. Entendeu? A paixão é boa, o sentimento de rejeição que não é.

Quando a bomba estoura, os sacanas sempre se fazem de vítima do acaso.
Balela! Bullshit!

Em suma:
Ninguém merece sofrer por decisão de outra pessoa. Ninguém.
Quando o sujeito tem plena consciência de que pode te ferir e mesmo assim insiste na história, ganha o free pass para o Hall dos caráteres duvidosos.
Quem decide se é necessário sofrer (ou se vale a pena), somos nós. É por isso que existe aquele maravilhoso adjetivo chamado “honestidade”.

“As causas não determinam o caráter da pessoa, mas apenas a manifestação desse caráter, ou seja, as ações.”
(Arthur Schopenhauer)

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**nota adicionada por mim, é claro.

A navegar partirei
acompanhada ou sozinha,
Abençoada ou maldita
a navegar partirei.
Partirei pra me entregar
a navegar partirei.
Partirei pra trabalhar

a navegar partirei.
Partirei pra me encontrar

para jamais partirei.

Dorme, menina dormida
teu lindo sonho a sonhar.

(Jorge Amado)

E, de repente…

… Me peguei paralisada por alguns minutos. Como dizem as histórias, eu ouvi música quando o vi. Os meus olhos sorriam, como se assistissem à noite de céu estrelado. Meu coração, já desses assim, meio quebrado e com defeito, juntou a pequenez de sua força e gargalhou! Gargalhou da minha gargalhada, porque até os lábios já sabiam.
Me apaixonei por um sorriso simples e honesto, daqueles com grandiosa sensibilidade e poesia, pelas mãos já meio calejadas de fazer os outros sorrir, pela voz afinada ao contar ao mundo como ele é bonito e pelos óculos de quem enxerga a vida de maneira mais leve – mais simples, mais colorida, mais perfumada e cheia de cores maravilhosas.

Paixão, sabe?
Peguei carona nas asas de um pássaro e fui ao céu. Mesmo que só por um instante.
Talvez esse sentimento/sensação permaneça assim, só nos meus sonhos, porque talvez seja impossível. Mas quem se importa?

Só por perceber, só por sentir, só por sorrir, já me valeu o sonho. Já me valeu o dia. Já me valeu viver. Recomeçar.
A vida/coração não pode ser tão amarga para sempre. Talvez o amor não se  concretize da forma idealizada e blasé como imaginam a maioria das pessoas. Talvez algumas nasçam para se apaixonar e amar todos os dias e de maneiras diferentes.

E, hoje, eu me apaixonei.
Hoje, eu amei.
Só por hoje.
Um dia de cada vez.

“Quando é vazante, quando é maré cheia, corre Batuíra na beira do mar”

Nosso infinito particular

Certas vezes, o coração escurece feito a noite. Não há luz, não há certezas e nos perdemos em vazios. Buracos negros na planície desse universo paralelo que se chama coração. “Ah, escuridão, você é forte feito aço. Não te venço!”, dizemos. Até que, de repente, feito janelinha que se abre lá longe, chega ela: uma estrela, com sua pequenez inusitada. Não te cega. Não vai mudar a sua vida, porque ela está lá… Longe. Singela, apenas te desenha um sorriso. Um “olá!”, sutil e amistoso. E deste pequeno brilho, explodem outras janelinhas, outras estrelas, outros olhares, outras esperanças, outros sorrisos. Um novo horizonte se constrói, como em todos os ciclos da vida. Mas não importa, porque são brilhos! Tão lindos! Como te encanta esse céu estrelado! Brilhos que sorriem a tua alma. E tua alma gargalha estrelas! Nessa sua noite, o céu está generoso. Coisa bonita de se ver. Alma gargalhando e os olhos brilhando tanto quanto o céu! Mas o breu – ah, o breu! – ainda te predomina, ainda é o cenário que monta a sua noite, como uma peça de teatro. Não sejamos pessimistas, o caminho ainda segue. Tudo continuará a caminhar e, pelo menos, a paisagem favorece. Até que, então, outras superficies – maiores e mais coloridas – te surgem. São universos pequeninos e, mesmo sem vida humana, estão ali, pairando. Mostrando que, talvez, se o coração persistir, ele se depare com mais descobertas – dessas que façam mais diferença. Talvez, exista outro ser assim, pensante e observador. Talvez.

Talvez o coração nunca encontre o planeta terra. Talvez ele não conheça um lugar para morar, um porto para atracar e descobrir todas as belezas desse tal “mundo”. Da escuridão total à descobertas, o caminho já foi longo e generoso. Ele já sente. Sorri! Talvez sua pequena existência não atinja a plenitude, sua grande paixão, sua grande descoberta cheia de segredos e maravilhas. Talvez não. Ainda é noite. Entretanto, no céu há estrelas e planetas. Mas o breu – ah, o breu! – ainda predomina.

Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: “Parar pra pensar, nem pensar!”
O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.
Sem ter programado, a gente pára pra pensar.
Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.
Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.
Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.
Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.
Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.
Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.
Parece fácil: “escrever a respeito das coisas é fácil”, já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.
Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.
Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.

Mia philosophia

Vendo a vida pelo retrovisor, como se tudo o que aconteceu ainda estivesse ali, sempre.
Um labirinto confuso, em circulos; nomeiam-o mundo, terra, vida.
Vida é retorno? São releituras? Porque é certo: tudo sempre volta.
O ontem pode ser hoje, o hoje já é amanhã e tudo sempre se faz um novo velho. Repaginado.

Vagando em paisagens, vendo o longe pela janela… E, de repente, o longe é perto, é aqui.
E qual é a tal missão que nos é empregada? Existe? São escolhas? Nem sempre felizes. E aí te dizem que são para aprender. Lições.
Vive-se para aprender, em estágios. Somos treinees de um futuro que nunca chega. Por que tanto aprendizado?
Mas o que tanto esperamos? O que é o fim? Fechar as cortinas, ver a luz lá ao fundo e tentar alcançá-la? Qual é o sentido?

São circulos e, neles, Montesquieu disse que temos alguns direitos, inclusive o de ser feliz.
Mas o que é ser feliz? E quando isso se tornou obrigação?
Viver na melancolia chamam de depressão. De pressão. Pressão pela obrigação de ser feliz. Aí nos tornamos melancólicos. Mais um circulo. Retrovisor. Vê?

Esquecemos dos sentidos e caminhamos com os olhos vendados.
Vendados.
Vendidos.
Tudo por posses. Possuir coisas que nunca serão eternamente nossas.
Não somos donos nem de nossos corpos, porque ele nos dirá o momento de sucumbir e nada teremos a fazer.
Te dizem o que ter, o que não fazer, o que pensar, no que sentir prazer. Máquinas vivendo por uma missão que nem ao menos conhecemos.

E, todos os dias, temos que esconder sentimentos.
Sentimentos são genuinos e devem estar presentes, em tudo.
Gestos, palavras, pensamentos, cumprimentos.
As estrelas que se acendem dentro do peito quando algo acontece. Isso faz sentido. É involuntário, assim como a vida deveria ser. Involuntariamente sensorial.

Sentidos. Sentir. Sentimento.
Gosto. Cheiro. Toque. Dor. Fagulhas coloridas no peito. Lembranças seguidas de sorrisos. Sal em lágrima. Doçura em acordes.
Isso sim faz sentido.
Sentidos involuntariamente sensoriais.