Dois cafés

Tem que correr, correr
Tem que se adaptar
Tem tanta conta e não tem grana pra pagar
Tem tanta gente sem saber como é que vai

Priorizar,
Se comportar,
Ter que manter a vida mesmo sem ter um lugar…

Daqui pra frente o tempo vai poder dizer
Se é na cidade que você tem que viver
Para inventar família, inventar um lar

Ter ou não ter?
Ter ou não ter?
Ter ou não ter o tempo todo livre pra você?

O banco, o asfalto, a moto, a britadeira
Fumaça de carro invade a casa inteira
Algum jeito leve você vai ter que dar.

Sair pra algum canto, levar na brincadeira
Se enfiar no mato, na cama, na geladeira
Ter algum motivo para se convencer

Que o tempo vai levar
Que o tempo pode te trazer
Que as coisas vão mudar
Que as coisas podem se mexer

Vai ter que se virar para ficar bem mais normal
Vai ter que se virar para fazer o que já é
Bem melhor, menos mal, menos mal
Mais normal.

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3 (três)

Tríades, trinômios, trindades
três, trinca, terno
tripés, tribo.
3.

Deve ser um número que me persegue ou que me ensina,
a saber o que significa ser o que se é
todos os dias.
Tríquetra.

Desses que caminham do lado e de peito aberto pro mundo,
seja pra mudar de apartamento,
ou ser levado pelo vento.
Sabe-se lá do tempo…
A gente não liga.

Desses que entendem
todos seus jeitos,
trejeitos,
defeitos e
despeitos.
Amores e
cores,
com flores
ou até mesmo nas
dores.

Desses que te fazem praticar a divisão,
que entendem o teu ‘mood’,
também acreditam no cosmos,
no acaso,
no fracasso,
no recomeço,
até do avesso,
e às vezes,
até mesmo sem precisar dizer
com palavras
porque
bastam olhares.

Enquanto com eles,
mal sei explicar o que é isso,
tudo isso.
A gente vive todos os dias,
sem saber
o que será
amanhã.

Abrimos o peito e encaramos a vida,
com ilícitos ou alcoolicos,
alternativos ou cafuçus,
no carnaval ou em Vegas,
na alegria e na tristeza,
na saúde e na doença,
todos os dias dessa vida,
até que a morte nos separe.

Eu amo vocês, companheiras.
Eu amo vocês, companheiros.

triquetra

dani, fefo e chico