Porta retrato

Ali, parado na minha sala, vazio.
Tentei decifrar se o conteúdo (aquele que eu imaginei que ficaria bom), faria sentido.
Dei a minha cara a tapa, porque a realidade, quando impressa, poderia ficar imperfeita.
No começo, gostei. Foi divertido ter aquela foto ali –
A sala ficou bonita com o breve tempo em que o retrato emoldurou sorrisos.
Foi divertido, amado, sentido.
Mas, vou ter que confessar: naquela foto eu não estava muito bem.
Sabe quando você se vê na foto e pensa “hum, mas talvez nessa eu não esteja muito bem?“?
Pois então, me sintia assim.
Tava bonitinha até, mas sei lá… Não era eu.
Eu sei que talvez as pessoas até pudessem gostar… Mas eu não.
Sinto muito.
Não fazia sentido eu tentar continuar sendo aquela “eu”, se “eu” sou eu. Entende?
Foi bom – muito bom – mas não dá.
E foi.

Fomos.

Foram-se todos os “se”.

Precisava de outra fotografia.
Minha.
Mas de mim.
Mim, eu mesma.
Bem eu, sabe?
Não estampar um outro eu. Estampar a mim.
No porta retrato estampamos o que a gente é –
e assim, ser visto.
Estampar-se.

Coloquei uma foto bem bonita minha. Assim, meio descabelada,
meio feliz, meio boba. Daquelas minhas bem verdadeiras. Com todas as minhas viralatisses.

E o porta retrato tá ali, na sala.

Se vão gostar eu não sei.
Mas eu aprendi a me ver.
E gosto do que vejo.

“Tão perto de mim, tão longe de tudo…”

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