Santiago

Neste final de semana, aproveitei o tempo nublado e chuvoso para “colocar o cinema em dia”.

A primeira obra que vi é um documentário do diretor João Moreira Salles, de 2007, nomeado Santiago. Conta a história de Santiago Badariotti Merlo, o mordomo da poderosa família Moreira Salles, a qual prestou serviços durante 30 anos na grandiosa Casa da Gávea, onde atualmente está instalado o Instituto Moreira Salles.

Santiago - João Moreira Salles - 2007

Santiago é um argentino descendente de italianos, uma figura incomum, apreciador de música erudita e que, durante as manhãs, além de tocar castanholas, costumava transcrever aforismos em pequenos pedaços de papéis e os denominava “abortos mentais“. Não bastasse, encontrava tempo para alimentar uma espécie de enciclopédia particular, escrita por ele em várias partes do mundo e em vários idiomas, onde registrava a biografia das aristocracias, astros de hollywood, elite européia, chefes indígenas, entre outras figuras históricas. Na época em que as imagens foram feitas, Santiago contava com mais de 30 mil páginas desta enciclopédia das celebridades. 

Santiago narrando suas histórias, em 1992, na cozinha de seu apartamento no Leblon.

O diretor, João Moreira Salles, começou a produzir esta película em 1992. Porém, não havendo progresso na obra, abandonara o projeto. Em 2005, após ser premiado por outros documentários, Moreira Salles se viu em meio a um conflito pessoal e sentiu certa grande necessidade de retornar à casa da Gávea e suas memórias. Retomou o trabalho das imagens de Santiago vislumbrando nova perspectiva, utilizando como tema justamente o fracasso da tentativa anterior de produzir o longa. Não haveriam novas imagens, pois Santiago havia falecido em 1994, então, amarra as cenas através de uma narração em primeira pessoa. Eis aí o pulo do gato: ele se torna personagem de sua própria obra, exprimindo seus anseios, seus dilemas e destrincha suas memória e inquietações, falando do mordomo, do casarão, projeto de documentários que havia naufragado e dele mesmo, com uma rara franqueza.

O diretor João Moreira Salles, que acaba se tornando personagem do documentário. A narração é feita pelo irmão, Fernando Moreira Salles.

A outra obra que assisti é “Rede de intrigas” (1976), do diretor Sidney Lumet, que fica para o próximo post! 😉

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